30 de março de 2021
10 de novembro de 2020
2 de novembro de 2020
1 de novembro de 2020
10 de março de 2020
4 de abril de 2019
Os Animais e o Dinheiro, de Gonçalo M. Tavares e Os Espacialistas. O espetáculo aconteceu no Rivoli, um edifício que me suscita a ideia de uma monumentalidade em ponto pequeno. Os mármores, as luzes, a polidez, a amplitude dos espaços ainda de quando havia espaço para o espaço por dentro da cidade. Mas o espetáculo. O espetáculo era de um efeito iminentemente físico, corporal, como se fossemos tragados pelas iterações circulares e hipnóticas da máquina. Uma hora de constância, de não movimento num ininterrupto movimentar. O pensamento dá-se à indolência do corpo e tudo o que somos e tudo que o espetáculo é e tudo o que está a ser, fica simbioticamente unificado mitigado expandido à simplicidade de uma coisa maior. Uma hora. Uma hora. Uma hora. Num súbito, explode música devasta o funcionamento da engrenagem, a máquina para como se acordada para uma nova realidade nova consciência do espaço do tempo. E há luz, cor, muito tempo de luz, cor, música, e o corpo novamente se dá ao ritmo e à circularidade, mas, desta vez, em êxtase da adrenalina do orgasmo imprevisto. Há muito a intelectualizar. Mas o que o espetáculo dá de incomum é uma consciência profunda de estar ali num corpo por baixo da inteligência, só em contacto terreno com o que há de físico em nós. Mas talvez seja isso uma forma de intelectualizar a questão.
15 de março de 2019
1 de março de 2019
15 de janeiro de 2019
8 de novembro de 2018
4 de outubro de 2018
30 de setembro de 2018
Vou a três quartos do Jerusalém do Gonçalo M. Tavares. O primeiro livro que deste autor leio. Tem sido de uma prosa comedida, controlada, cinzentamente poético, nunca se distanciando da própria origem do pensamento. A sua preocupação primeira é a consolidação arquitectónica do mundo interior da narrativa e das personagens. A sucessão dos factos, (quase) arbitrariamente colocados em não linearidade temporal, vai readquirindo a força própria que há depois de cada destruição: a da reconstrução. Preciso de uma leitura completa para entender a total essência da sua motriz criativa. É um livro que vai exibindo, quietamente, o fulgor fantasma de um edifício robusto, na distância, em construção. Por isso aguardarei pelo final. Desta obra mais nada direi porque eu, pelo contrário, não possuo o talento da culminação. Não saberia resolver a minha opinião. Uma opinião ao nível desses píncaros. Sinto-me um conjunto disperso de finais sobrepostos, cá mais em baixo.
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