Não sei pensar, falta-me inteligência, cultura, empatia, respeito, solidariedade. Falta-me pensamento.
24 de fevereiro de 2022
13 de julho de 2021
Há autores com quem consigo manter uma relação saudável de escritor-leitor, tu cá tu lá. Não lhes ambiciono a escrita. Poderão inspirar-me e profundamente, sim, e algumas ideias e frases são como um belíssimo soco nos meus ciúmes literários. Mas não me aterrorizam. Há outros, porém, que persigo desalmadamente como uma sombra aspirando ao síncrono movimento de nós. Esses queria pensar escrever na cabeça deles (a tal "escrita-leitura" em que tão rendido estou, tão apaixonado, tão alucinado, que a minha leitura parece a escrita do meu impossível).
7 de julho de 2021
11 de maio de 2021
14 de abril de 2021
Ler para limpar, neutralizar, o palato. Desabituar-nos a nós, à nossa intimidade, à nossa relação com o espaço e o tempo, com os ritmos desajeitados a que nos tornámos surdos. Há gralhas, mais que formais ou materiais, que são orgânicas e é preciso ler outros autores para não os deixar deixar morrer na sombra da nossa maior insensibilidade.
30 de março de 2021
10 de novembro de 2020
2 de novembro de 2020
1 de novembro de 2020
10 de março de 2020
4 de abril de 2019
Os Animais e o Dinheiro, de Gonçalo M. Tavares e Os Espacialistas. O espetáculo aconteceu no Rivoli, um edifício que me suscita a ideia de uma monumentalidade em ponto pequeno. Os mármores, as luzes, a polidez, a amplitude dos espaços ainda de quando havia espaço para o espaço por dentro da cidade. Mas o espetáculo. O espetáculo era de um efeito iminentemente físico, corporal, como se fossemos tragados pelas iterações circulares e hipnóticas da máquina. Uma hora de constância, de não movimento num ininterrupto movimentar. O pensamento dá-se à indolência do corpo e tudo o que somos e tudo que o espetáculo é e tudo o que está a ser, fica simbioticamente unificado mitigado expandido à simplicidade de uma coisa maior. Uma hora. Uma hora. Uma hora. Num súbito, explode música devasta o funcionamento da engrenagem, a máquina para como se acordada para uma nova realidade nova consciência do espaço do tempo. E há luz, cor, muito tempo de luz, cor, música, e o corpo novamente se dá ao ritmo e à circularidade, mas, desta vez, em êxtase da adrenalina do orgasmo imprevisto. Há muito a intelectualizar. Mas o que o espetáculo dá de incomum é uma consciência profunda de estar ali num corpo por baixo da inteligência, só em contacto terreno com o que há de físico em nós. Mas talvez seja isso uma forma de intelectualizar a questão.
15 de março de 2019
1 de março de 2019
15 de janeiro de 2019
8 de novembro de 2018
4 de outubro de 2018
30 de setembro de 2018
Vou a três quartos do Jerusalém do Gonçalo M. Tavares. O primeiro livro que deste autor leio. Tem sido de uma prosa comedida, controlada, cinzentamente poético, nunca se distanciando da própria origem do pensamento. A sua preocupação primeira é a consolidação arquitectónica do mundo interior da narrativa e das personagens. A sucessão dos factos, (quase) arbitrariamente colocados em não linearidade temporal, vai readquirindo a força própria que há depois de cada destruição: a da reconstrução. Preciso de uma leitura completa para entender a total essência da sua motriz criativa. É um livro que vai exibindo, quietamente, o fulgor fantasma de um edifício robusto, na distância, em construção. Por isso aguardarei pelo final. Desta obra mais nada direi porque eu, pelo contrário, não possuo o talento da culminação. Não saberia resolver a minha opinião. Uma opinião ao nível desses píncaros. Sinto-me um conjunto disperso de finais sobrepostos, cá mais em baixo.
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